Oportunidades de
negócio em áreas degradadas
* Diretor executivo da Fator Ambiental
 |
| Marcos Redondo(*) |
A sustentabilidade das grandes cidades tem no
uso e ocupação do solo sua peça fundamental.
Somente através de um urbanismo sustentável é possível
alcançar o equilíbrio entre o desenvolvimento sócio-econômico
e a proteção ambiental.
Neste sentido, a cidade de São Paulo não tem o que
comemorar: são mais de 10 milhões de m2 de áreas
urbanas em processo de desvalorização, com terrenos
abandonados e passivos ambientais, que em alguns casos, representam
risco iminente à saúde dos moradores locais. Apesar dos expressivos investimentos do setor imobiliário,
pouco se avançou na revitalização dessas áreas.
A dificuldade da administração pública em
planejar e viabilizar a implantação de ações
sustentáveis de desenvolvimento urbano, faz com que o setor
privado ainda não tenha despertado para a grande oportunidade
que se esconde atrás das áreas urbanas degradadas.
Foi através deste conceito que grandes cidades na Europa
e Estados Unidos transformaram seus passivos urbanos em geração
de riqueza e melhoria de qualidade de vida. São inúmeros
exemplos, como a revitalização da região portuária
de Barcelona, das Docas de Londres e dos passivos industriais de
Chicago. Nos Estados Unidos, mais de 600 mil áreas contaminadas
foram identificadas desde 1980. No início, o processo de
revitalização foi lento, por conta da distância
entre as autoridades municipais, órgãos fiscalizadores
e empreendedores.
O ponto de mudança veio com a aproximação
entre o setor imobiliário e as esferas públicas:
incentivos como o Superfund foram criados e o movimento sustentável
começou. Em poucos anos foram investidos US$ 6,5 bi e criados
25 mil novos empregos na reconstrução destas áreas
para um uso sustentável.
Em São Paulo, a sub-prefeitura da Sé lançou
o projeto da Nova Luz como ponto de partida para a revitalização
do centro. A iniciativa privada está disposta a investir,
como demonstrado pelas mais de 300 consultas recebidas no último
mês pelo lançamento do novo edital de qualificação.
Cabe ao município através das administrações
regionais, com o apoio da Secretaria do Verde e Meio Ambiente e
da Cetesb, ampliar esta iniciativa para outras áreas, criando
um ambiente favorável aos investimentos da iniciativa privada.
Estima-se que os ganhos com a revitalização das
antigas zonas industriais de São Paulo, correspondam a uma
receita total de R$ 12,8 bilhões e 70 mil empregos, além
da melhoria da qualidade de vida nestas regiões. A revitalização
urbana contribui para a diminuição da pressão
imobiliária sobre as áreas periféricas de
mananciais e de proteção ambiental da cidade.
Os problemas urbanos, muitas vezes insolúveis aos olhares
mais céticos, devem ser tratados como oportunidades, transformando
seu valor potencial em benefícios para todos. É preciso
que o poder público e a iniciativa privada sejam parceiros
no projeto de desenvolvimento urbano sustentável.
Gazeta Mercantil
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