Descobrindo
a Suíça
Arnaldo Galvão*
BRASÍLIA - Passei a semana de 19 a 24 de janeiro
deste ano na Suíça. Viajei a convite da gigante do
mercado farmacêutico Novartis, para cobrir a divulgação
dos resultados financeiros da multinacional em 2003.
Uma pesquisa sobre qualidade de vida realizada pela Mercer Human
Resources
Consulting em 215 cidades mostra que Zurique é o melhor lugar
para se viver
no mundo. Genebra, também na Suíça, ficou em
segundo lugar na sondagem que
considera os ambientes político e social, o nível
de educação, a eficiência
dos sistemas de transporte e os padrões de áreas de
lazer. As informações
foram colhidas em novembro de 2003 e a Mercer usou Nova York como
referência.
Mas essa minha primeira passagem por Zurique também serviu
para entender
que nesse lugar não se encontra apenas qualidade de vida,
bancos, canivetes,
chocolates inesquecíveis, relógios famosos, fondue
e queijos. À beira do
maravilhoso lago que dá nome à cidade, alimentado
pelo Rio Limmat. A arquitetura
européia e o estilo de vida cosmopolita dos seus sortudos
um milhão de habitantes
ganham definitivamente a memória dos turistas.
Zurique é a maior cidade suíça, com predominância
da língua alemã. O país
tem quatro línguas oficiais. Depois do alemão, falado
por 74% da população,
vêm o francês (20%), o italiano (4%) e o reto-românico
(1%). Na verdade,
os suíços falam o “suíço-alemão”,
cuja pronúncia é bem diferente da alemã
tradicional. O orgulho cultural desse país está, cada
vez mais, distanciando
a língua hegemônica da suíça do idioma
dos seus vizinhos do norte.
Aliás, só para sentir um pouco de inveja dos nossos
colegas jornalistas
suíços, o maior diário econômico de Zurique
“Neue Zürcher Zeitung” tem
mais de 40 correspondentes no exterior. Até parece jornal
brasileiro.
Tenho de confessar que foi muito fácil perceber tudo isso
porque tenho um
grande amigo que mora em Zurique. Conheci Jan Knüsel em julho
de 1997, durante
um curso de inglês em Nova York. Naquela época os brasileiros
viviam aquela
breve fantasia da paridade cambial. Mas em janeiro deste ano, pude
conhecer
também os pais de Jan naquela fria semana de inverno suíço.
Foram três jantares
muito divertidos, com muitas risadas e informações
sobre o que é viver naquela
simpática cidade.
A vida cultural é intensa em Zurique, que oferece mais de
50 museus e 100
galerias de arte. Quem gosta de noites agitadas precisa conhecer
a zona
oeste da cidade. Nessa área que já foi um distrito
industrial, fábricas
antigas ganharam vida se transformando em lofts, que atraíram
os descolados
freqüentadores de restaurantes, bares e clubes da região.
Na sexta-feira, visitamos uma das fábricas da Novartis na
Basiléia, cidade
que fica na tríplice fronteira entre Suíça,
França e Alemanha. No meu último
dia na Suíça, por sugestão de Sálvio
Di Girolamo, diretor da Novartis que
acompanhava os jornalistas brasileiros, acordamos bem cedo e pegamos
um
trem para Lucerna. A idéia era visitar o Monte Pilatus, a
2.132 metros de altitude.
Apesar do sono do início da manhã, o passeio foi
muito agradável. Lucerna
confirma o jeito charmoso das cidades suíças, geralmente
estabelecidas à
beira dos lagos. Depois de sair da estação de trem,
pegamos um ônibus e
depois um teleférico para chegar ao topo do Pilatus. Lá
em cima a vista,
temperada pela neve que não nos incomodou em Zurique, foi
encantadora. Também
pudemos comer um tradicional fondue suíço acompanhado
de um bom vinho.
Pra baixo todo o santo ajuda e fizemos o caminho de volta para
o Brasil.
Se eu pensava que viagem para a Europa era Itália, Espanha,
Portugal, França e outros destinos tradicionais, tive de
reconhecer que a Suíça é encantadora e vale
a pena voltar para conhecer outras cidades, principalmente das regiões
francesa (Genebra) e italiana (Lugano).
Claro
que depois de passar esses maravilhosos dias na Suíça,
não tenho nenhuma reclamação a fazer. Mas lamento
não ter tido tempo de ir ao estádio ver uma partida
de futebol do Grasshopper, o time mais tradicional de Zurique.
* Arnaldo Galvão é repórter
especial do Correio Braziliense, onde cobre política e economia.
E tem saudades das tardes no Palestra Itália, palco de jogos
do Palmeiras, o time mais tradicional do Mundo.
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