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| Por
Guilherme Duque Estrada de Moraes |
São Paulo gosta de se dizer uma cidade
cosmopolita. E é verdade. Gente de todo o Brasil e do exterior
está sempre pela cidade. Mas a cidade é cruel com
quem não a conhece bem. E conhecer bem São Paulo é difícil
até para quem nasceu aqui. A cidade é mal sinalizada
e a pouca sinalização parece ter sido feita apenas
para quem já domina os caminhos e atalhos. Pior é a
caótica denominação de ruas e avenidas. Imagine
um motorista forasteiro saindo do centro da cidade em busca do
número 3423 da rua da Consolação.
Ele começará estranhando que uma
típica avenida, com pistas separadas, tenha o nome de rua.
E irá seguindo até se dar conta de que a rua terminou
muito antes do número desejado e que ele está numa
tal de Avenida Rebouças. Se for do tipo conformado, vai
achar que lhe deram o número errado e vai desistir. Se for
teimoso, vai perguntar e descobrir que a rua da Consolação – na
parte em que é rua mesmo – é uma paralela da
Rebouças e não a continuação da própria
rua por onde ele veio. Curioso é que, mais adiante, a mesma
coisa ocorre com a Avenida Rebouças, que depois da Faria
Lima passa a se chamar Euzébio Matoso.
Mas a continuação da Rebouças
existe. Aliás, uma bonita rua arborizada, paralela à Euzébio
Matoso. Outra confusão se dá na Vila Olímpia.
Quem sai da Avenida Bandeirantes e toma a rua Funchal, que ali
deveria se chamar avenida, pois tem duas pistas separadas por um
canteiro central, vai notar, de repente, que está na Avenida
Chedid Jafet. E se seguir em linha reta e atravessar a avenida
Juscelino Kubitschek, verá que o nome mudou para Henrique
Chama. A continuação da rua Funchal ficou para trás.
Num certo ponto, ela faz uma curva à direita, passa a ser
rua mesmo e – pior – de repente, sem qualquer esquina,
praça, curva ou justificativa parecida, muda de nome para
rua Pequetita.
Outro exemplo? Basta seguir pela Avenida Washington
Luiz, que, aliás, é continuação da
Moreira Guimarães, que é continuação
da Rubem Berta, que é continuação da 23 de
Maio. Pois num certo momento, o motorista desavisado vai ver que
está na Avenida Interlagos e que não encontrou o
número que procurava na Washington Luiz. Como adivinhar
que para continuar na Washington Luiz ele deveria ter dobrado à direita
em certo ponto, entrando numa rua que tem nome de avenida?
Os exemplos são muitos. O mais clássico é o
da Martins Fontes que começa na cidade, muda de repente
para Rua Augusta, depois para Colômbia, Av. Europa, e...finalmente
Cidade Jardim.
Há até ruas que continuam com o
mesmo nome, embora sejam cortadas por uma linha férrea cercada
de muros e impossível de se atravessar. Mais cruel, ainda, é a
dúvida provocada pelos largos ou praças nas bifurcações
de ruas. Será que a continuação é a
da esquerda ou a da direita? Não se pode saber, porque por
mais insignificante que seja o larguinho que divide o tráfego,
a placa vai indicar Largo Fulano de Tal e não vai informar
que rua está em cada lado. Um inferno.
São Paulo precisa urgentemente de uma revisão
nos nomes dos seus logradouros. Ou o povo vai acabar pensando que
a Prefeitura e os vereadores têm algum interesse não
revelado na venda dos sistemas de GPS para veículos que,
aliás, funcionam insatisfatoriamente em São Paulo,
exatamente pela complexidade e desorganização da
denominação dos logradouros
(*) Guilherme
Duque Estrada de Moraes – vice-presidente executivo da
Abiquim
64 anos (nascido em 31 de dezembro
de 1942, em Niterói, Rio de Janeiro)
Casado – Dois filhos (Carlos Eduardo e Mariana )
Residência: Rio de Janeiro (São Conrado)
Formação:
Graduado em Direito
Especialização em Administração (Fundação
Getúlio Vargas - Rio de Janeiro)
Experiência:
Exerceu diversas funções no Governo Federal:
Secretário Geral do Programa Nacional de Desburocratização
(jul.. 1979 – jul. 1982)
Secretário Geral da Previdência Social (ago. 1982 – dez.
1983),
Consultor da Presidência da República para o Programa Federal
de Desregulamentação.
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